Especialista
Revisão científica
Dra. Sofia Alegra Ginecologista-obstetra, especializada em uroginecologia e cirurgia reconstrutiva pélvica no Hospital Lusíadas Lisboa
Quando se fala de cuidados de higiene, a lista de ‘afazeres’ que temos diariamente não pode deixar de passar pela higiene íntima. A zona genital é uma das áreas mais delicadas do corpo, exigindo por isso cuidados específicos, essenciais para a saúde. Talvez por isso, este é um tema em que proliferam ideias incorretas, sobretudo no que toca ao sexo feminino. Tema a tema, damos-lhe conta das recomendações da Sociedade Portuguesa de Ginecologia (SPG). A máxima a fixar é: menos é mais, os excessos são prejudiciais.
Frequência das lavagens
A SPG recomenda uma a três lavagens diárias, de acordo com o clima, a atividade física e doenças associadas. Por exemplo, após o ato sexual ou outras atividades físicas, a lavagem é essencial para evitar irritações. Também durante a menstruação a higiene íntima deve ser mais frequente, para reduzir os fatores agravantes da irritação vulvar. Já após a menopausa, a lavagem deve ocorrer no máximo duas vezes ao dia.
Não recomendado| Lavagens demasiado frequentes, que destroem a flora protetora da mucosa vaginal, propiciando infeções, secura e consequente prurido.
Produtos adequados
Pode parecer estranho, mas o pH da mucosa vaginal é ligeiramente ácido – entre 3,8 e 4,5 –, para manter a zona íntima em equilíbrio e protegida de infeções. Por isso, o gel de banho deve ser substituído por um produto específico com um pH adequado. Tal permite assegurar o delicado equilíbrio da flora vaginal, mantendo intactas as defesas naturais e evitando infeções e sintomas de desconforto como secura, comichão ou dor durante as relações sexuais ou ao urinar.
Não recomendado| Produtos perfumados, sabão ‘azul e branco’, bem como produtos antisséticos ou antibacterianos.
Técnica de lavagem
A parte exterior dos genitais deve ser lavada com a mão usando água tépida, no sentido da vagina para o ânus (da frente para trás), a fim de deixar os genitais menos vulneráveis a infeções oportunistas. O uso de esponja é desaconselhado, já que propicia a proliferação de fungos e bactérias. Também não devem ser utilizados sprays, perfumes ou lenços humedecidos, nem é recomendada a introdução de água e/ou outros produtos no interior da vagina (lavagens vaginais).
Não recomendado| Duches vaginais e uso de esponja, sprays, perfumes ou lenços humedecidos.
Secagem e hidratação
Tão importante quanto a lavagem é a promoção de uma secagem eficaz. A pele da zona íntima deve ser seca delicadamente com uma toalha limpa, sem deixar rastos de humidade para não fomentar o aparecimento de fungos e bactérias. A última etapa da higiene íntima, geralmente negligenciada, é a hidratação. Especialmente após a menopausa, quando a pele se encontra mais seca, devem ser aplicadas fórmulas não oleosas nas regiões de pele (não na mucosa).
Não recomendado| Deixar a pele húmida, o que promove o desenvolvimento de fungos e bactérias; usar fórmulas oleosas para hidratar a pele ou não a hidratar de todo.
Tampões e pensos higiénicos
A troca de penso higiénico ou tampão deve ser frequente e sempre acompanhada de uma boa higienização das mãos, mas sem exageros. A utilização de pensos diários deve ser evitada, uma vez que prejudicam a transpiração natural e conservam o calor, a humidade e as secreções vaginais em contacto com a pele, favorecendo o desenvolvimento bacteriano.
Não recomendado | Usar pensos diários, pois favorece o desenvolvimento de irritação ou alergias; permanecer mais de 4 horas sem trocar o penso ou tampão.
Roupa interior
Sempre que possível, use roupa interior folgada e permeável, feita de materiais naturais como o algodão. A roupa sintética ou com muitas rendas pode alterar a barreira cutânea que protege a zona da vulva, causando irritações. Os fatos de banho molhados e o vestuário desportivo devem ser trocados o mais rapidamente possível, já que a humidade e o calor facilitam a proliferação de fungos e bactérias.
Não recomendado| Usar roupa interior de materiais sintéticos e/ou muito justa; deixar o vestuário desportivo secar no corpo.
Depilação da zona íntima
A depilação da área genital deve respeitar a sensibilidade de cada mulher. A frequência deverá ser a menor possível, mas a extensão da área depilada vai depender do gosto de cada mulher. Os métodos depilatórios devem ser adequados ao estilo de vida.
Não recomendado| Eliminar os pelos na zona do períneo. Estes devem ser mantidos de forma a evitar a passagem de microrganismos da flora intestinal (frequentemente associados ao aparecimento de infeções urinárias) – para a vagina e uretra.
Relações sexuais
Esvazie a bexiga depois de ter relações sexuais e proceda à realização de uma higiene íntima adequada. Estas medidas ajudam, por um lado, a remover as bactérias que se tenham espalhado para o interior da uretra e, assim, a prevenir infeções urinárias, e, por outro, a eliminar as secreções decorrentes do ato sexual, evitando infeções vaginais.
Não recomendado| Lavagens vaginais e esquecer-se de fazer uma higiene íntima adequada após as relações sexuais.
Higiene íntima | E eles, o que (não) devem fazer?
Os genitais masculinos devem ser lavados diariamente com água morna. Pode ser usado um sabonete neutro, que deve ser espalhado com as mãos e não aplicado diretamente. Em homens não circuncidados, o prepúcio deve ser puxado suavemente para trás, de modo a lavar a zona onde as bactérias mais se concentram. A lavagem deve ser feita antes e após qualquer contacto sexual, mesmo que tenha sido usado preservativo. Caso depilem as virilhas ou a zona púbica, devem deixar os pelos com cerca de 1,5 centímetros e ter em atenção o risco de reações locais – infeções, irritações, manchas ou escoriações.
Fonte: Associação Portuguesa de Urologia
URO_2020_0073_PT, SET20
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Dra. Sofia Alegra Ginecologista-obstetra, especializada em uroginecologia e cirurgia reconstrutiva pélvica no Hospital Lusíadas Lisboa