O teste deve o seu nome ao médico de origem grega George Papanicolau, que o desenvolveu nos EUA na década de 1930. Desde então, generalizou-se como teste usado para rastreio do cancro e lesões pré-cancerosas no colo do útero e vagina. Segundo a Organização Mundial de Saúde, é o teste de rastreio mais usado em todo o mundo, com resultados na redução da incidência destas lesões e da mortalidade associada a estes tipos de cancro.

“A colpocitologia possibilita, num elevado número de casos, a deteção das lesões precursoras do cancro do colo do útero”, explica a ginecologista Teresa Fraga. O objetivo é que esta deteção ocorra o mais precocemente possível, antes de se manifestarem outros sintomas que, nesta doença, são praticamente ausentes nas fases iniciais. Nestas fases, o tratamento é mais eficaz, prevenindo a evolução para cancro invasivo do colo do útero.

Além do rastreio de lesões pré-cancerosas e de cancro, o exame do material colhido pode detetar infeções como candidíase ou inflamações locais.

Em que casos está indicado?

O rastreio de cancro do colo do útero está indicado para mulheres a partir dos 21 anos, na generalidade. No entanto, tudo depende da história individual. “A colheita para citologia só deve ser feita três anos após o início da vida sexual”, explica Teresa Fraga. “Para o rastreio oportunista ser eficaz, a citologia deve ser repetida a intervalos de um a dois anos, nunca superiores”, alerta a especialista.

Como é feito o teste de Papanicolau?

O teste é feito durante uma consulta de rotina ao ginecologistaou médico de família, mais propriamente durante a observação ao espéculo. A mulher coloca-se em posição ginecológica – deitada na marquesa com as pernas dobradas e afastadas. O médico faz a colheita de células do colo do útero, através da passagem suave de uma escova sobre este, com um movimento de rotação. Este é um procedimento pouco doloroso e não invasivo, embora possa desencadear algum desconforto.

Antes da consulta ginecológica

  • Tenha atenção à data da marcação da consulta: o teste de Papanicolau não deve ser feito durante a menstruação. Por outro lado, “não é aconselhável colher material para citologia se a mulher estiver com uma infeção ginecológica aguda e corrimento abundante ou com hemorragia vaginal de qualquer tipo”, avisa Teresa Fraga;
  • Nas 48 horas antecedentes, evite ter relações sexuais e não realize irrigações vaginais nem aplique qualquer creme ou gel contracetivo;
  • Não use tampões, pelo menos, nas 24 horas antes do teste;
  • Antes da consulta, deve esvaziar a bexiga (a pressão do espéculo agrava a vontade de urinar).

Os resultados

As células recolhidas são colocadas para análise numa lâmina de vidro – citologia convencional – ou num frasco com líquido – citologia em meio líquido. São depois enviadas para avaliação por um técnico especialista. De acordo com as conclusões de alguns estudos científicos, “os resultados da citologia em meio líquido são mais consistentes e fidedignos do que os da citologia convencional”, realça Teresa Fraga. O técnico procede à identificação de possíveis alterações nas células do colo do útero, que são classificadas por nível de gravidade:

  • Resultado negativo

Não foram detetadas alterações ou anomalias e, por isso, não há indícios de lesões no colo do útero.

  • Resultado positivo

Um resultado positivo é sinónimo de alterações das células do colo do útero; pode ser sinal de uma lesão mais grave, mas também pode ser simplesmente causado por inflamações ou infeções. Não é, por si, sinónimo de cancro.

  • Resultado insatisfatório

Se o resultado da citologia for “não satisfatório”, o médico deverá repetir o teste. Também nos casos de citologia inflamatória, o teste deve ser repetido mais cedo do que o intervalo habitual. Isto porque a presença de uma inflamação pode ser um sinal secundário de uma lesão grave.

O que fazer perante um resultado positivo?

Segundo Teresa Fraga, o teste de Papanicolau “tem a vantagem de ser muito específico, com pouquíssimos falsos positivos, ou seja, quando o teste é positivo, a lesão [no colo do útero] tem que lá estar”. Neste caso, deverá falar com o seu ginecologista sobre os passos a seguir, que dependerão sempre dos resultados da citologia.

Na maioria dos casos, ao rastreio positivo segue-se uma colposcopia. Este é “um exame direto do colo do útero, com aplicação de corantes vitais que permitem observar pormenores não apreciados numa observação ginecológica de rotina”, descreve Teresa Fraga.

A colposcopia poderá ser complementada por uma biópsia – colheita de tecido para avaliação microscópica. Só depois destes exames será possível fazer um diagnóstico definitivo e aconselhar qual a melhor orientação naquele caso concreto.

 

70,7%

Proporção de mulheres portuguesas com idade entre 20 e 69 anos que fizeram uma citologia nos últimos três anos, segundo o Instituto Nacional de Estatística.

Tome nota

Além da citologia, o rastreio regular do cancro do colo do útero inclui o teste de HPV que, segundo a Direção-Geral da Saúde, “é o mais sensível para a deteção destas lesões”. Segundo Teresa Fraga, pode ser feito a partir da amostra recolhida no exame de Papanicolau, mas com intervalos de “três a cinco anos”, já que “praticamente não há falsos negativos.”

 

Colaboração

Drª Teresa Fraga
Ginecologista-obstetra
Consultora da Unidade de PTGI (Patologia do Trato Genital Inferior) da CUF Descobertas

URO_2020_0095_PT, DEZ20