“No contexto social que nos encontramos a viver, em que nos é pedido a todos para mantermos o isolamento social, isso não significa que não nos possamos manter ativos e criativos, procurando espaços de atividade e de reflexão sobre cada um de nós, redescobrindo áreas de interesse que ajudem a superar as dificuldades impostas pela declaração do Estado de Emergência.” Quem o afirma é a psicóloga Isabel Gonzalez Duarte, a quem pedimos que sugerisse atividades que possam ajudar a ocupar-nos durante este período.

“Jogar, Trabalhar, Praticar e Mimar são quatro organizadores para estruturar um conjunto de atividades a pensar nos idosos, que são a população de risco para a pandemia COVID-19, de forma a lidarem melhor com o isolamento, estimulando funções cognitivas e promovendo padrões saudáveis do comportamento. No entanto, podem também ser importantes para as famílias que se encontram em teletrabalho e a ter ao mesmo tempo de cuidar dos filhos”, explica a especialista.

 

Jogar

Para os mais velhos | Jogos de palavras (sopa de letras, cruzadex, palavras cruzadas) e de números (sudoku) para estimular a atenção, a concentração e a memória.

Para os mais novos | Jogos de tabuleiro em família (xadrez, monopólio, pictionary, stop, batalha naval…), são muito importantes no bom desenvolvimento da atenção, da concentração e da memória, ao mesmo tempo que permitem trabalhar de uma forma muito saudável as dinâmicas familiares.

Trabalhar

Para os mais velhos | Fazer pequenos trabalhos manuais, que podem variar de pessoa para pessoa e de acordo com o seu tipo de interesses (tricot, crochet, costura, carpintaria…), o importante é dedicar algum tempo à realização de uma atividade da qual saia um objeto físico. Esta tarefa é essencial para promover o bem-estar emocional, uma vez que promove a satisfação através da concretização do objeto, ao mesmo tempo que trabalha a motricidade fina.

Para os mais novos | Algumas crianças e jovens encontram-se em contexto de telescola, mas todos podemos trabalhar no sentido de realizar pequenas atividades em casa, por exemplo cozinhar é um excelente exercício para promover a criatividade, estimular a motricidade fina e trabalhar a coordenação motora e visual, afinal “os olhos também comem”.

Praticar

Para os mais velhos | A prática de pequenos exercícios físicos promove o bem-estar físico constituindo-se como essencial para o trabalho da função motora, permitindo um bom equilíbrio entre as funções físicas e as psíquicas.

Para os mais novos | Com crianças e jovens a prática de exercício físico dentro de casa pode ser um desafio muito importante, mas deixo como sugestão para os mais novos a realização de pequenos teatros, que podem ser preparados com base num livro de histórias, ou a coreografia de uma música para os mais jovens, uma tarefa que pode envolver os filhos libertando os pais para trabalhar, para que ao serão se possam reunir em família para assistir, elogiando e encorajando. Este tipo de atividades promove um bom desenvolvimento da memória, da atenção, ao mesmo tempo que estimula a criatividade.

Mimar

Para os mais velhos | É essencial o cuidado diário no sentido do mimo, o que se pode traduzir em múltiplas tarefas: cuidar das plantas, ouvir uma música, ler umas páginas de um livro de que gostamos… No fundo, promover diariamente a realização de uma tarefa que permita relaxar, porque é essencial combater a ansiedade e o stress durante o isolamento.

Para os mais novos | Aqueles de quem gostamos são uma tarefa obrigatória, por isso vamos desenhar e/ou escrever, foi assim quando os avós estiveram na guerra vamos recriar esta modalidade usando as novas tecnologias para partilhar os afetos essenciais para o bem-estar cognitivo e emocional. O desenho e a escrita são dois exercícios de coordenação visual e motora muito importantes, que estão na base do bom desenvolvimento das funções grafo-percetivas utilizadas na aprendizagem.

 

Em suma, “o objetivo da realização destas tarefas e/ou de outras é poder manter a mente ocupada, levando a que nos possamos sentir produtivos, o que consequentemente terá um efeito na diminuição da ansiedade”, conclui a especialista.

 

 

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